Amia, Bowfin (Amia calva)


Espécime adulto em seu ambiente natural (Foto cedida por Phil’s 1stPix em www.biodiversity4all.org) CCBY

Nome Científico: Amia calva (Linnaeus, 1766)

Ordem: Amiiformes — Família: Amiidae

Nome popular: Amia, Alcaraz — Inglês: Bowfin, Freshwater dogfish

Distribuição: América do Norte; EUA

Etimologia: Amia do grego, amia = um tipo de tubarão;  Calva, vem do latim calvus, que significa “calvo”, “liso” ou “sem pelos/escamas”. Provavelmente em referência à ausência de escamas na parte superior da cabeça deste peixe.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)

Sinônimos: Amia piquotii, Amia thompsonii, Amia subcoerulea, Amia lintiginosa, Amia canina, Amia cinerea, Amia reticulata, Amia ornata, Amia marmorata, Amia occidentalis, Amia ocellicauda


Descrição

Trata-se de um “fóssil vivo” e única espécie sobrevivente da família Amiidae. É uma espécie antiga que remonta ao período Jurássico. Embora tenha evoluído, ainda compartilha algumas características físicas com seus ancestrais.

O Bowfin, como é popularmente conhecido, é uma espécie primitiva estritamente relacionado com os Gars (família Lepisosteidae). O grupo diversificou-se a partir dos Osteoglossiformes há cerca de 250 milhões de anos, no início do Triássico.

É o último membro sobrevivente da ordem Amiiformes (que inclui três famílias, agora extintas adicionais que datam do Jurássico , ao Eoceno ) e da família Amiidae (que contém numerosas espécies em cerca de quatro subfamílias, das quais apenas uma , Amiinae, é sobrevivente).

Pode respirar ar atmosférico utilizando sua vesícula natatória, que está ligado a seu trato gastrointestinal e permite flutuabilidade regular na água, similar a um pulmão de um peixe primitivo (vide pulmonados como Piramboia e Lungfish). Por este motivo, comumente podem ser vistos próximo a superfície engolindo ar atmosférico.

Apresenta corpo longo e robusto, cabeça cônica, boca grande com maxilar estendendo desde os olhos. Mandíbulas apresentam dentes fortes e cônicos, narinas com dois barbilhões curtos. Sua característica mais distinta é a presença de uma longa nadadeira dorsal, que possui tamanho de aproximadamente 1/3 de seu corpo.

Possui uma boca grande e extremamente poderosa com os dentes cônicos, bastante afiados, que travam e seguram suas presas, enquanto uma placa gular, localizada em seu maxilar inferior, esmaga e dilacera.

O bowfin é um predador indiscriminado que prontamente ataca, por emboscada ou oportunamente, uma ampla variedade de presas. É um hábil predador de topo.

  • Tamanho Adulto: 109 cm (comum 50 cm)
  • Expectativa de Vida: 30 anos +
Esqueleto da cabeça de Amia calva. Foto de Udo Savalli (c)

Distribuição e Habitat

América do Norte; encontrado no rio São Lourenço, Lago Champlain, drenagens de Quebec e Vermont até drenagem Mississipi em Minnesota.

Países: Estados Unidos e Canadá (Questionável)

Habitat: Encontrado em áreas pantanosas, lagos, lagoas e remansos de riachos com densa vegetação. Respira ar atmosférico podendo suportar altas temperaturas, o que lhe permite sobreviver em áreas estagnadas; inclusive, sabe-se que entra em estivação; a temperatura letal é de 35,2 °C.

  • pH: 6.0 a 8.0
  • Dureza: Indiferente
  • Temperatura: 15°C a 28°C
Espécime adulto em seu ambiente natural (Foto cedida por Phil’s 1stPix em www.biodiversity4all.org) CCBY

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 600 litros com comprimento mínimo de 200 cm e 60 cm de largura desejável.

A decoração do aquário é indiferente, porém, se desejar poderá adicionar raízes ou rochas formando refúgios, assim como algumas plantas mais robustas ou plantas flutuantes, simulando seu ambiente natural.

Certifique-se que o peixe poderá ter fácil acesso a superfície para tomar goles de ar regulares ou poderá morrer afogado. Esta espécie retira o oxigênio obrigatoriamente da superfície e pode difundir o oxigênio dissolvido em seu sangue através de suas brânquias ou oxigênio atmosférico através de uma vesícula altamente vascularizada (pseudo pulmão).

Mantenha o aquário bem tampado, esta espécie é um excelente saltador.

Comportamento e Compatibilidade: É um predador por excelência e comerá qualquer outro peixe que couber em sua boca, mesmo os de porte similar ao seu. Embora apresente comportamento bastante agressivo na hora de se alimentar, é uma espécie pacífica e poderá ser mantido com peixes maiores, embora corra o risco de também serem devorados (comportamento variável).

Em cativeiro, podem viver incrivelmente por décadas se mantidos adequadamente. Deve-se atentar em seu manuseio, principalmente na hora da alimentação ou manutenção do aquário, um espécime adulto pode facilmente cortar um dedo humano.

  • Área de Natação: Fundo
  • Quantidade mínima: Preferencialmente sozinho
  • Nível de dificuldade: Médio
Espécime juvenil em aquário (Foto cedida por lkirk em www.biodiversity4all.org) CCBY

Alimentação

Carnívoro, em seu ambiente natural alimenta-se de forma oportunista subsistindo inúmeros itens incluindo peixes, insetos, crustáceos, sapos, carcaças de outros animais e detritos. Utiliza o olfato tanto quanto a visão e captura o alimento engolindo água. Os juvenis pequenos se alimentam de microcrustáceos e insetos

Em cativeiro dificilmente aceitará alimentos secos, devendo ser fornecido alimentos vivos e filés de peixes, secundariamente poderá fornecer minhocas, camarões, mexilhões, anfíbios, entre outros.


Reprodução

Ovíparo. Em seu ambiente natural desovam anualmente, com os peixes se reunindo em grandes números em águas rasas entre densa vegetação aquática. Macho constrói ninho no substrato (buraco) e a desova ocorrerá após o cortejo do macho junto a fêmea, onde ela liberará os óvulos adesivos que serão fecundados em simultâneo pelo macho.

Uma curiosidade refere-se a fêmea que pode visitar o ninho de diversos machos, portanto, não é incomum um único ninho apresentar ovos em diferentes estágios de desenvolvimento. A grande proporção de machos para fêmeas chega a ser três por uma, talvez por isso elas possuam este comportamento.

Os ovos eclodem em 9 dias; os filhotes recém-eclodidos medem cerca de 8 mm.

Machos defendem seus ninhos tão vigorosamente que atacam qualquer coisa que se aproxime, não importando o tamanho. O cuidado parental do macho ocorre até que as larvas estejam nadando livremente.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 38 a 68 cm.
  • Cuidado Parental: Ocorre

Dimorfismo Sexual: Os machos adultos são menores e levemente mais coloridos do que as fêmeas. Nos peixes jovens, os machos podem ser distinguidos pela presença de um ponto negro (ocelo) no topo do pedúnculo caudal. Este ponto é bastante fraco ou completamente ausente nas fêmeas. Machos podem apresentar nadadeiras ventrais de cor verde.

Espécime sub adulto em aquário (Foto cedida por Johannes Pfleiderer tirada no Aquário Nacional em Baltimore EUA)

Referências

  • Organisation for Economic Co-operation and Development, 1990. Multilingual dictionary of fish and fish products. Fishing News Books, Oxford.
  • FAO-FIES, 2023. Aquatic Sciences and Fisheries Information System (ASFIS) species list. Retrieved from htttps://www.fao.org/fishery/collection/asfis/en [accessed Fev, 2026]
  • Grande, L. and W.E. Bemis, 1998. A comprehensive phylogentic study of amiid fishes (Amiidae) based on comparative skeletal anatomy. An empirical search for interconnected patterns of natural history. Society of Vertebrate Paleontology Memoir 4:i-x, 1-690; supplement to Journal of Vetrebrate Paleontology.
  • Page, L.M. and B.M. Burr, 2011. A field guide to freshwater fishes of North America north of Mexico. Boston : Houghton Mifflin Harcourt
  • Brownstein, C.D., D. Kim, O.D. Orr, G.M. Hogue, B.H. Tracy, M.W. Pugh, R. Singer, C. Myles-McBurney, J.M. Mollish, J.W. Simmons, S.R. David, Watkins-Colwell. G., E.A. Hoffman and T.J. Near, 2022. Hidden species diversity in an iconic living fossil vertebrate. Biology Letters
  • International Game Fish Association, 1991. World record game fishes. International Game Fish Association, Florida, USA.
  • Altman, P.L. and D.S. Dittmer, 1962. Growth, including reproduction and morphological development. Federation of American Societies for Experimental Biology.
  • Murdy, E.O. and J.A. Musick, 2013. Field guide to fishes of the Chesapeake Bay. JHU Press, 360 p.

Publicado em Fevereiro/2026

EdsonRechi

Aquarista há mais de duas décadas e fanático por organismos aquáticos, fundador do grupo Aquarismo Paulista. Hoje se dedica ao projeto Cardume Online, no qual pretende transformar em referência sobre peixes de águas continentais em língua portuguesa.

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