Guaru do Pará (Poecilia parae)

Espécimes machos. Foto de Andy Foden (c)

Nome Científico: Poecilia parae (Eigenmann, 1894)

Ordem: Cyprinodontiformes — Família: Poeciliidae

Nome popular: Barrigudinho, Guaru Pará — Inglês: Para molly

Distribuição: América do Sul, Guiana até delta do rio Amazonas no Brasil

Etimologia: Poecilia; poikilos (Grego) = com muitas cores. Parae (latim) = Pará, em alusão ao estado brasileiro do Pará, uma das regiões onde é encontrado.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)

Sinônimos: Poecilia vivipara parae , Poecilia amazônica , Acanthophacelus melanzonus


Descrição

Apresenta corpo comprido lateralmente, relativamente profundo, alongado e fusiforme. As nadadeiras são moderadamente longas e arredondadas. Pequena boca superior.

Forma lateralmente comprimida, relativamente profunda, alongada e fusiforme. As barbatanas são moderadamente longas e arredondadas. Pequena boca superior.

A coloração padrão dos machos é prata escura quando imaturos sexualmente. Opérculo, nadadeira dorsal e caudal apresentam cor verde claro. Pequenas manchas pretas cobrem a nadadeira dorsal. Alternando listras pretas, brancas e pretas adornam os raios superiores da nadadeira caudal. A nadadeira anal é cinza translúcida. Quatro a seis listras pretas abrangem o corpo da nadadeira anal até o pedúnculo caudal. As fêmeas e os machos imaturos apresentam coloração verde na monótona com ventre prata brilhante.

Existe cinco variedade morfológicas de cores entre os machos desta espécie: Parae, Melazona Vermelha, Melazona Amarela, Melazona Azul e Immaculata. Os corpos destes peixes são prata translúcido. Uma série de duas listras pretas envolve uma faixa colorida (vermelha, amarela e azul, respectivamente) se estendendo da nadadeira peitoral até os raios superiores da nadadeira caudal. Immaculata apresenta corpo prata livre de marcações. As fêmeas têm a coloração cinzenta monótona.

  • Tamanho Adulto: 5 cm (machos 3 cm)
  • Expectativa de Vida: 2 anos
Macho e fêmea de Poecilia parae coletados na Guiana. ( a ) red melanzona, ( b ) yellow melanzona, ( c ) blue melanzona, ( d ) parae, ( e ) immaculata ( f ) female. Immaculata macho foi fotografado um ano após sua coleta. Foto cortesia do artigo “Extreme polymorphism in a Y-linked sexually selected trait”

Distribuição e Habitat

Distribuído desde Guiana até a foz do rio Amazonas no estado do Pará no Brasil, além de Guiana Francesa e Suriname.

Países: Brasil, Guiana Francesa, Guiana e Suriname. No Brasil é nativo do estado do Pará, daí seu nome comum.

Habitat: Ocorre em água continental em pequenos pântanos e riachos de fluxo lento, ao longo de densa vegetação ribeirinha e fundo arenoso. Pode ser encontrado em água salobra de estuários.

  • pH: 7.0 a 7.6
  • Dureza: 4 a 10
  • Temperatura: 24°C a 30°C

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 40 litros com comprimento mínimo de 60 cm e 30 cm de largura desejável.

Podem viver em água doce ou salobra. A água deverá ter fluxo lento e substrato preferencialmente arenoso e escuro. Plantas flutuantes ou musgos podem ser utilizados para prover sombreamento, bastante apreciado pela espécie.

Deixar uma área aberta para nadarem, são peixes bastante ativos.

Comportamento e Compatibilidade: De comportamento extremamente pacífico, ideal para pequeno aquário ou aquário comunitário com espécies semelhantes.

Como a maioria dos micro poecilídeos, usar a proporção de um macho para duas ou três fêmeas. Uma vez que os machos incomodam as fêmeas constantemente para se reproduzirem.

  • Área de Natação: Fundo / Meio / Superfície
  • Quantidade mínima: Casal ou Grupo
  • Nível de dificuldade: Fácil / Médio / Difícil

Alimentação

Onívoro. Em seu ambiente natural se alimenta basicamente de larvas de insetos e pequenos crustáceos.

Em aquário aceitará prontamente alimentos secos e vivos.


Reprodução

Vivíparo. Fecundação interna, as fêmeas são sexualmente maduras aos 8 meses de idade, enquanto os machos atingem a maturidade sexual aos 6 meses. Dependendo da idade e tamanho da fêmea, o número de alevinos varia entre 5 e 15 após cerca de 24 dias de gestação. Os alevinos têm 7 mm de comprimento ao nascer. Os pais bem-nutridos não perseguem sua prole.

Sabe-se que Poecilia parae apresenta uma série de morfologias de cor nos machos, sendo pelo menos cinco morfologias distintas conhecidas, enquanto existe apenas uma forma de cor nas fêmeas. A cor do macho está ligada ao cromossomo Y. Algumas destas morfologias são sempre abundantes na natureza, enquanto outras são invariavelmente raras, o que leva à conclusão de que a cor dos machos tem implicações para sua aptidão reprodutiva.

Trabalhos em laboratório mostraram que a morfologia mais frequente também é a que apresenta maior sucesso reprodutivo. No entanto, quando as fêmeas tiveram a opção de escolher entre dois machos diferentes, elas preferiram os machos da morfologia rara em relação aos machos da morfologia comum. Isso sugere que existem estratégias alternativas de acasalamento masculinos envolvidos, como competição espermática e competição direta entre machos, entre outros fatores possíveis, que se sobrepõem às preferências das fêmeas.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 6 meses +
  • Cuidado Parental: Não ocorre

Dimorfismo Sexual: Os machos são menores, mais coloridos e possuem um gonopódio (nadadeira anal adaptada).

Macho a esquerda e fêmea respectivamente. Fotos de Johnny Jensen (c)

Referências

  • Lucinda, P.H.F., C.A. Figueiredo and K.E. Hartel, 2011. Designation of the lectotype of Poecilia amazonica Garman, 1895 (Cyprinodontiformes, Poeciliidae) and discussion of its nomenclatural status. Zootaxa
  • Lucinda, P.H.F., 2003. Poeciliidae (Livebearers). p. 555-581. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brazil.
  • McAllister, D.E., 1990. A working list of fishes of the world. Copies available from D.E. McAllister, Canadian Museum of Nature, P.O. Box 3443, Ottawa, Ontario K1P 6P4, Canada. 2661 p. plus 1270 p. Index.
  • Rodriguez, C.M., 1997. Phylogenetic analysis of the tribe Poeciliini (Cyprinodontiformes: Poeciliidae). Copeia 1997
  • Lindholm, Anna; Brooks, Robert; Breden, Felix (2004). “Extreme polymorphism in a Y-linked sexually selected trait”. Heredity.
  • Robert W. Meredith; Marcelo N. Pires; David N. Reznick; Mark S. Springer (2010). “Molecular Phylogenetic Relationshipsand the evolution of the placenta in Poecilia (Micropoecilia) (Poeciliidae:Cyprinodontiformes)” (PDF). Molecular Phylogenetics and Evolution.

Publicado em Março/2026

EdsonRechi

Aquarista há mais de duas décadas e fanático por organismos aquáticos, fundador do grupo Aquarismo Paulista. Hoje se dedica ao projeto Cardume Online, no qual pretende transformar em referência sobre peixes de águas continentais em língua portuguesa.

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