Peixe da Lama Africano (Phractolaemus ansorgii)

Nome Científico: Phractolaemus ansorgii (Boulenger, 1901)
Ordem: Gonorynchiformes — Família: Phractolaemidae
Nome popular: Peixe da Lama Africano — Inglês: Hingemouth
Distribuição: África Ocidental
Etimologia: Phractolaemus o nome do gênero deriva do grego antigo, composto por phraktós (cercado, protegido) e laimos (garganta), referindo-se provavelmente à estrutura da sua boca ou garganta. Ansorgii o nome da espécie é uma homenagem ao Dr. W. J. Ansorge, um naturalista e explorador que coletou espécimes de peixes na África, incluindo o P. ansorgii descrito por Boulenger em 1901.
Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco Preocupante (Acessado em 2026)
Sinônimos: –
Descrição
É um peixe pequeno, de cor cinza-oliva ou marrom, com corpo alongado e semicilíndrico. Embora a boca articulada não possua dentes faríngeos, possui um pequeno “dente” em cada osso dentário, estes são na verdade projeções dos próprios dentários. A probóscide (focinho longo e flexível) é revestido com fileiras de projeções queratinosas.
Bexiga natatória inteiramente alveolar, funcionando como um pulmão; é um respirador aéreo facultativo e esta adaptação à respiração aérea permite que o peixe sobreviva em pântanos e planícies aluviais quentes, de movimento lento e pouco oxigenados.
Outra particularidade é seu sistema sanguíneo, com sangue de cor escura e abundante.
É usado Etnomedicina por praticantes de Ifá, no sudoeste da Nigéria, como antídoto para envenenamento malicioso e tratamento para disfunção erétil.
- Tamanho Adulto: 25 cm
- Expectativa de Vida: Desconhecido

Distribuição e Habitat
África Ocidental, desde o Lago Nokoué (Rio Ouémé, Benim) até o Rio Cross (Camarões), incluindo Ogun, Osse e o Delta do Níger. Também encontrado na bacia média do Rio Congo, na República do Congo e na República Democrática do Congo.
Países: Benin, Camarões, Congo, Republica Democrática do Congo e Nigéria.
Habitat: São encontrados em pântanos de água doce e águas de movimento lento dos sistemas dos rios Congo e Níger. Na estação seca , podem ser encontrados em poças e lagoas de planícies de inundação.
- pH: 6.0 a 8.0
- Dureza: Indiferente
- Temperatura: 24°C a 30°C
Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 100 litros com comprimento mínimo de 80 cm e 40 cm de largura desejável.
Há pouca informação disponível sobre os cuidados deste peixe em aquário. Eles parecem ser resistentes em cativeiro, alimentando-se de uma variedade de alimentos congelados e em grânulos. São dóceis e aparentemente possuem longa expectativa de vida
Certifique-se de oferecer substratos macios e uma boa área de superfície para que possam explorar. Deixar o aquário bem tampado, costumam ser ótimos saltadores ou fugitivos.
Comportamento e Compatibilidade: Aparentemente pacífico e solitário.
- Área de Natação: Fundo
- Quantidade mínima: Solitário ou Grupo
- Nível de dificuldade: –

Alimentação
Micrófago, especialmente fitófago (epífitas) e detritífago. Alimenta-se principalmente de detritos orgânicos e fitoplâncton, bem como de outros pequenos organismos bentônicos. Usa a protrusão pré-maxilar para aumentar a eficiência na alimentação por sucção ao golpear o alimento, mas suas mandíbulas únicas também permitem um controle motor fino semelhante à tromba de um elefante ou aos lábios de mamíferos. Essa capacidade de sondar, raspar, beliscar e extrair pequenas partículas de alimento com a boca torna o peixe excepcionalmente eficaz como um predador de fundo, especialmente em águas com substratos irregulares.
Reprodução
Ovíparo. Sua reprodução em cativeiro é desconhecido. Sabe-se que machos e fêmeas possuem tubérculos laterais em seus corpos que provavelmente auxiliam na manutenção do contato durante a desova.
- Maturidade Sexual: Desconhecido
- Cuidado Parental: Desconhecido
Dimorfismo Sexual: O macho da espécie possui tubérculos pontiagudos e proeminentes em algumas de suas escamas e raios, provavelmente usados em conflitos com outros machos e para manter contato com o corpo da fêmea durante a reprodução. A fêmea também possui tubérculos em algumas escamas e nadadeiras, embora sejam menos desenvolvidos e provavelmente usados apenas para reprodução. Em ambos os sexos, os tubérculos são bem vascularizados com queratina.

Referências
- Wiley, M.L. and B.B. Collette, 1970. Breeding tubercles and contact organs in fishes: their occurrence, structure and significance. Bull. Amer. Mus. Nat. Hist.
- Lévêque, C. and D. Paugy, 2003. Phractolaemidae. p. 229-231. In D. Paugy, C. Lévêque and G.G Teugels (eds.) The fresh and brackish water fishes of West Africa Volume 1. Coll. faune et flore tropicales 40. Institut de recherche de développement, Paris, France, Muséum national d’histoire naturelle, Paris, France and Musée royal de l’Afrique Central, Tervuren, Belgium,
- Müller, J.: et al., 2022. Air breathing among fishes: an updated and annotated checklist. To be published. Currently, data entered from a draft, with original source references.
- Hulot, A., 1950. Le régime alimentaire des poissons du centre africain. Intérêt éventuel de ces poissons en vue d’une zootechnie économique au Congo belge. Bull. Agric. Congo Belge
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- Olaosebikan, B.D. and A. Raji, 1998. Field guide to Nigerian freshwater fishes. Federal College of Freshwater Fisheries Technology, New Bussa, Nigeria.
- Nelson, J.S., 1984. Fishes of the world. 2nd edition. John Wiley & Sons, Inc., New York.
Publicado em Março/2026