Peixe Salamandra (Lepidogalaxias salamandroides)


Macho de Lepidogalaxias salamandroides — Foto de Gerald R. Allen / Western Australian Museum (c)

Nome Científico: Lepidogalaxias salamandroides (Mees, 1961)

Ordem: Lepidogalaxiiformes — Família: Lepidogalaxiidae

Nome popular: Salamanderfish, Dwarf pencilfish

Distribuição: Oceania, Austrália Ocidental

Etimologia: Lepidogalaxias vem do grego lepis, lepidos, que significa “escama”, e galaxias, um tipo de peixe (derivado de gala, galaktos para leite ou leitoso). Salamandroides vem do grego, significando “semelhante a uma salamandra”.

Status de Conservação (IUCN Red List): Em Perigo (2026)

Sinônimos: –


Descrição

Um peixe esguio, de corpo cilíndrico, que passa a maior parte do tempo no substrato, parecendo “ficar em pé” sobre as nadadeiras pélvicas e peitorais.

Possui coloração que varia do esverdeado ao acinzentado ou castanho-claro, geralmente com manchas escuras nas laterais e nas costas, e salpicado com marcas prateadas. A barriga é prateada a rosada.

É uma espécie única que possui muitas características não encontradas em outros peixes, incluindo a capacidade de dobrar o pescoço para os lados em ângulos retos, compensando a incapacidade dos olhos de se moverem independentemente.

Leva o nome associado ao Urodelos devido o formato de seu corpo e a forma de natação, aliado a respiração aérea facultativa, podendo sobreviver em águas pouco oxigenadas.

Sobrevivem à seca durante os meses de verão enterrando-se no substrato e secretando uma bainha de muco ao redor do corpo para se proteger, onde entram em estivação (um estado de dormência semelhante à hibernação, caracterizado por inatividade e redução da taxa metabólica). Eles permanecem nos solos arenosos e úmidos até que as chuvas voltem a submergir o habitat no ano seguinte.

  • Tamanho Adulto: 7,4 cm (comum 4 cm)
  • Expectativa de Vida: 3 a 5 anos

Distribuição e Habitat

Registrado em lagoas efêmeras de água doce ácida na Austrália Ocidental, entre o rios Albany e Blackwood. Durante o verão, essas lagoas, que em 1991 continham várias centenas de espécimes cada, podem secar completamente. Os peixes se enterram e sobrevivem no substrato de folhas e areia. Quando as chuvas de outono retornam, as lagoas se enchem novamente e os peixes emergem rapidamente e nadam ativamente.

Países: Endêmico da Austrália

Habitat: Encontrada principalmente em charcos e pântanos temporários (que secam no verão) altamente ácidos, em zonas costeiras de vegetação rasteira.

  • pH: 3,8 a 4,5
  • Dureza: < 5
  • Temperatura: 17°C a 28°C
Espécime em aquário — Foto cedida por State of Western Australia represented by the Department of Water and Environmental Regulation,

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 60 litros com comprimento mínimo de 60 cm e 30 cm de largura desejável.

Substrato preferencialmente arenoso e iluminação moderada. Decoração com plantas e raízes podem ser utilizados. O pH da água é importante manter ácido para a manutenção da espécie.

Comportamento e Compatibilidade: Pacífico podendo ser mantido em aquário comunitário com peixes de tamanho diminuto e pacífico.

  • Área de Natação: Fundo / Meio
  • Quantidade mínima: Casal ou Grupo
  • Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação

Naturalmente alimenta-se principalmente de larvas de insetos aquáticos e pequenos crustáceos.. Em aquário aceitará prontamente alimentos secos e vivos.


Reprodução

Ovíparo. Entrar com detalhes da reprodução.

A desova ocorre no final do inverno e início da primavera, coincidindo com as fortes chuvas que reabastecem os poços temporários entre maio e agosto.

Ocorre fertilização interna. O macho possui uma nadadeira anal modificada (uma bainha escamosa) utilizada para transferir esperma para a fêmea. Fêmeas põem cerca de 100 ovos em águas rasas.

Alevinos possuem crescimento rápido atingindo 2,5 cm no verão. A maioria dos peixes atinge a maturidade sexual no segundo ano de vida, embora cerca de 25% amadureçam no final do primeiro ano.

Durante o verão (janeiro a maio), quando os poços secam, os peixes cavam na lama úmida (até 60 cm de profundidade) e entram em um estado de dormência chamado estivação, sobrevivendo no substrato até que as chuvas de outono retornem. A expectativa de vida normalmente dura três anos, mas alguns peixes persistem por até cinco anos

  • Maturidade Sexual: Próximo de 12 meses
  • Cuidado Parental: Não ocorre

Dimorfismo Sexual: Os machos são geralmente menores (até 50 mm) que as fêmeas (até 80 mm) e, a partir de 25 mm, os machos podem ser identificados pela nadadeira anal maior e modificada, enquanto as fêmeas desenvolvem uma papila genital.


Referências

  • Berra, T.M. and G.R. Allen, 1991. Population structure and development of Lepidogalaxias salamandroides (Pisces: Salmoniformes) from western Australia. Copeia
  • Berra, T.M. and G.R. Allen, 1995. Inability of salamanderfish, Lepidogalaxias salamandroides, to tolerate hypoxic water. Rec. Western Aust. Mus.
  • Allen, G.R., S.H. Midgley and M. Allen, 2002. Field guide to the freshwater fishes of Australia. Western Australian Museum, Perth, Western Australia.
  • Müller, J.: et al., 2022. Air breathing among fishes: an updated and annotated checklist. To be published. Currently, data entered from a draft, with original source references.
  • Allen, G.R., 1989. Freshwater fishes of Australia. T.F.H. Publications, Inc., Neptune City, New Jersey.
  • Salamanderfish – Lepidogalaxias salamandroides em Governo da Austrália – Departament of Water and Environmental Regulation – Freshwater Fish Group and Fish Health Unit at Murdoch University

Publicado em Abril/2026

EdsonRechi

Aquarista há mais de duas décadas e fanático por organismos aquáticos, fundador do grupo Aquarismo Paulista. Hoje se dedica ao projeto Cardume Online, no qual pretende transformar em referência sobre peixes de águas continentais em língua portuguesa.

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